Desencontros
Todo mundo o achava estranho e desajeitado. Ninguém nunca procurou conhecê-lo de verdade, julgavam antes de saber, coisa típica dos humanos. Ele tinha o cabelo bagunçado e os tênis, apesar de ser de marca, estavam sempre sujos. Com a cabeça baixa passava entre as pessoas e as fofocas iam aumentando por trás de suas costas. Ninguém o xingava, nem faziam maldades com ele, apenas o deixavam no canto sozinho. Esse era o problema, ele sempre esteve sozinho.
Em uma certa manhã de inverno, o diretor comunicou aos alunos que o colega havia falecido. Foi encontrado morto após ser atropelado numa rua deserta, o motorista fugiu sem prestar ajuda. Ao lado do garoto foi encontrado uma carta direcionada a mãe, nela havia vários pedidos de desculpas por não ter sido melhor e que a única coisa que o motivava a permanecer vivo era saber que logo ele estaria com ela.
A mãe se encontrava no hospital, já havia anos que ela não via o filho. Ela tinha o abandonado quando ainda era pequeno, pediu perdão, mas o garoto nunca aceitava suas desculpas. Agora já era tarde, o reencontro teria que ser além da vida.
Danielly Brandherm








